E foi olhando o céu
Na passagem entre o hemisfério norte e sul
Quando o mesmo fog que viu em São Francisco corria pelas asas do avião a mais de 10 mil quilômetros de altura
Que ele sentiu saudade daquela cocha carnuda entre as suas
E daqueles abraços apertados que lhe fariam falta a partir de agora
Já não havia mais o aconchego da mansarda de Boston
Nem a alegria capitalista das ruas de New York
Sobrariam as lembranças das tardes douradas no Charles River
Ou da surpresa a cada tarde na casa brasileira
Ou nos bares portugueses
Agora era retomar a vida, um trabalho qualquer, um outro amor qualquer
Voltar para o chão de terra batida
Onde as porteiras têm trancas envelhecidas
Onde as vacas ruminam suas memórias amarguradas
Onde não há rios que correm
Mas lagoas escuras que escondem lobos e traíras com seus dentes violentos
Teria q buscar o conforto no ébrio
E novamente na eterna busca para acordar cupido
Que dormia num salão do Metropolitan Museum of Art
aprisionado no mundo de morfeus







