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Posts Tagged ‘conto’

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Mergulhou na água salgada quase fria quase quente de Miami

 

lavou a alma na praia cheia de turistas,
viu espanhóis com camisa do Barcelona
o sol é para todos, a cidade não.
Passeou no Little Havana onde viu seu rosto de Geni outra vez dourado refletido no prédio espelhado,
almoçou num restaurante de exilados cubanos,
despediu-se da cidade tomando rum.
Respirou fundo:
estava de volta a Big Apple.
o Airbus pousava agora sem contratempos no JFK,
embriagada, viajou  sem saber que ao seu lado estava um ex espião da KGB,
José Bonifácio esperava no saguão vestindo a camisa do Corinthians campeão
03 meses se passaram desde do dia de suas chegadas,
dessa vez não foi confundida com mulçumana
passou no teste, estava mais pra americana.
A neve vestiu a grande cidade de branco,
iluminada,  luzes natalinas a enfeitada.
Dezembro chegou, lembrando da fraternidade e do consumo,
Papais-Noeis surgiam de repente, de qualquer esquina, de qualquer canto
carregados, estavam nas lojas, estavam nas ruas,
estavam nos comercias dentro das televisões
Ficou hospedada outra vez no 3 estrelas de Manhattan
o mesmo onde entrevistou Daniela Mercury
o mesmo onde se entrelaçou com o seu american way life do meio oeste.
Desabou na cama,
enquanto roncava e sonhava com o ‘circo da américa’,
com as luzes da ribalta,  o rugido dos leões
e o mágico do circo com quem fez o trailer tremer,
José Bonifácio  despachava um peru para Exu numa esquina da Quinta Avenida
Acordou sonâmbula com um  som estridente
atendeu
a voz inconfundível do seu country love  saiu do bocal do telefone:
estava no saguão
correndo entrou debaixo do chuveiro frio
tomou dois tragos de guaraná em pó pra despertar.
Abriu a porta nua e úmida
decidido, ele entrou  novamente no seu coração de vagabunda,
longamente se beijaram, deram beijos estalados
calaram-se
ele pediu perdão pelo puta
ela corrigiu
puta sim, herculana sim e agora também Geni
mas nunca  norte coreana
Saíram
deixou bilhete, um recado pra Bonifácio na recepção.
Deram rolê num conversível ouvindo Michael Jackson e Radiohead
foram ao Bronx,
ouviu hip hop cantado nas esquinas e saindo alto dos auto falantes de dentro dos carros.
Almoçaram peixada no Porto e atravessaram a Ponte do Brooklym fumando baseados,
fez compras exóticas com os olhos vermelhos alucinados.
Embaixo de um pinheiro dentro do Central Park beijaram-se indiferentes a neve que pousava nos seus rostos,
com o gosto da saliva dele disse:
volto pro Brasil,
com a mão  dentro da sua calça
alisando a sua pelugem loira e farta
segurando sua caceta tesa
pediu:quase implorando:
vem comigo
delicado e cuidadoso respondeu não posso, minha argentina, sorry, minha brasileira
fui obrigado a me casar no meio oeste
vou ser pai, desvirginei uma religiosa,
enfiei tudo sem camisinha,
depositei o meu esperma dentro da xota da menininha.
segurando o pranto de adeus, mas não as lágrimas,
apertou-a forte nos seus braços de vaqueiro.
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Alasca

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Deixou a festa dos mortos e suas caveiras, o sombrero, o chilli e o mexicano com quem fumou haxixe e se equilibrou na linha da fronteira  para trás.  Monterrey, Guadalajara e Cidade do México virou projeto de futuro,

Agora 

estava chegando no norte do Alasca, iria pisar em gelo
sentiu calafrios

tinha diante de si uma nova paisagem: um horizonte límpido  e enormes  geleiras

nessa ordem aparetemente sem caos,
sem grandes arranha céus e caminhões,

sem o seu americam way life,
que ficou pra trás, no coração do Colorado depois das brigas ciumentas no Arizona,
estava outra vez só
só em uma cidade gelada
só com as suas crenças e a sua identidade dilúida

só e ao mesmo tempo acompanhada do cientista brasileiro que a contratou com Ghost Writer no Colorado,

contrato que prolongou a sua temporada por aqui

e a trouxe para esse pedaço do território americano não incluído no seu roteiro de viagem

e muito menos imaginado ou sonhado por seu cérebro febril e obsceno.

 

Seu nariz dilatado sentiu cheiro de mar e de peixe

cheiro predominante do lugar

tremendo de frio

viu o sol brilhando dentro do helicóptero que pousou em uma base americana onde militares ouviam Rolling Stones enquanto jogavam baseball com casacos pesados em um campo sem grama.

Entusiasmou-se!

Tinha fetiche por fardas e botinões.

Em dois dias de estadia já tinha um novo amante

com quem  se enroscava debaixo de 4 cobertores.

 

Depois de duas semanas já fazia confidências e  revelações

se apaixonou

ele apertou carinhosamente  o seu corpo fofo no uniforme militar condecorado e pediu ordenando: fica 

tossiu, engasgando o seu inglês

 

Merd

intrigada e em dúvida

no cubículo do banheiro público

sentada na privada

repetiu baixinhi pra ele não ouvir  como um mantra e em francês

merd

 

não poderia ficar

e nem queria

 

Nenhuma impureza no branco da paissagem,

nenhum barraco, nenhum negro, nenhum terreiro, 

nenhum campinho de várzea, calor dos sertões e lembrança da bahia

 

saturada

foi para capela da base militar

praticou o seu sincretismo religioso

no altar 

frente a frente com um santo desconhecido

ajoelhou

mas apelou para São Judas Tadeu

com uma oração inventada.

 

Confusa

teve uma visão

a velha protestante do meio oeste, mãe do seu amercian way life,

apareceu, intrusa, colada no vitral da capela sorrindo maldosamente

alucinação?

 

decifrou o enigma

a mae 

com suas rezas e seu coração conservador republicano

tirou dela o seu loiro caipira do meio oeste americano

 

Clamou tímida pelo paraíso perdido

enquanto o santo estátua olhava sem censura para sua  cara de herculana

 

 

seu sangue ferveu de raiva, ruborizando suas bochechas no local sagrado 

 

ainda ajoelhada, sua bunda rebolou,

distraída, quase derrubou o castiçal onde uma vela ficava eternamente acesa aos pés do santo estátua

 

com um ardor queimando o corpo por dentro e por fora

abandonou a a capela e oração não terminada 

e foi pra fora esfria-lo  nas ruas brancas

 

não ficaria aqui

diria não ao sim

 

não queria  nem  viver, nem morrer sempre vestida com pesados casados e debaixo de 4 cobertores

e muito menos viver insatisfeita,  em uma guerra fria, 

destilando seu veneno sem remédio contra os exóticos nativos, os ursos polares e as enormes baleias.

 

terminaria os trabalhos como ghost writter

faltava mais algumas semanas frias

depois pegaria os dolares

e partiria

 

Aliviada com a decisão

caminhou estrangeira sem ser percebida pisando em  neve 

 

pediu para exu abrir os seus caminhos

cantou

um ponto de candomblé baixinho na cadência da bossa nova

suavemente baixinho,

sem atabaques 

sem banquinho

sem violão

cantou.

 

Aos pés da Santa Cruz você se ajoelhou
Em nome de Jesus um grande amor você jurou
Jurou, mas não cumpriu, fingiu e me enganou
Pra mim você mentiu
Pra Deus você pecou
O coração tem razões que a própria razão desconhece
Faz promessas e juras, depois esquece
Seguindo este princípio você também prometeu
Chegou até a jurar um grande amor
Mas depois esqueceu

por Vagner Luis Alberto

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