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Posts Tagged ‘New York’

A grande mídia esta ignorando. Os carros da ABC, Fox News e diversos outros canais estão aqui do nosso lado, cobrindo o Occupy Wall Street. Mas além de minimizar a maior manifestação civil norte-americana desde a Guerra do Vietnã, nenhuma rede de TV ousa a fazer as relações necessárias para compreender este evento.

O documentalista Michel Moore ao professor Noam Chomsky do MIT, nomes mais que representativos do que resta de critica e consciência nos Estados Unidos, reconhecem a importância da ocupação inspirada, quem diria, pela primavera árabe e que em pleno outono americano ocupa lugares públicos em cerca de 20 cidades dos principais centros urbanos da América.

Não existem lideres no movimento. Pelo menos dois séculos de luta pelos direitos humanos e liberdades individuais, dotaram os cidadãos americanos de uma capacidade de auto gerenciamento invejável. Em Boston e NY, duas ocupações onde tenho a oportunidade de viver o cotidiano, o trabalho voluntário sustenta a dinâmica dos acampamentos que contam com cozinha, ambulatório medico, centro de imprensa, workshops, banheiros químicos. Cada um ajuda como pode e o tanto que pode, cinco minutos, cinco horas. Todos podem falar e se manifestar. Assembleias são constantes, depoimentos, um grupo arrecada fundos, outro doações, outro pega assinaturas em abaixo-assinados que serão enviados ao Congresso e ao presidente Obama.

Denuncias contra grande corporações são constantes. Casos absurdos contra bancos, fabricas, industrias. Todos querem contar sua historia, todos querem falar com todos, explicar, entender, articular. As historias se repetem: americanos que na casa dos 50 anos estão endividados ate a tampa, trabalhando das 3 da manha as 10 da noite para ganhar quase nada, estudantes sufocados pelas mensalidades exorbitantes das universidades, mesmo nas consideradas publicas, legião inteira de desempregados, jovens sem esperança que só conhecem a historia da decadência desse que já foi o grande império econômico mundial.

Ao redor de tudo isso, uma cambada de loucos, porra loucas, curiosos, turistas vem contribuir com sua anarquia, engrossando o caldo da esperança por um mundo melhor, diferente, possível, que quebre o moto continuo da lógica do lucro e da exploracão humana.

A maioria dos americanos nunca foi a favor das guerras, mas sempre se mantiveram em silencio no seu conforto de consumo. Agora é diferente. Exigem o fim das invasões no Afeganistão, Iraque, querem o aumento de impostos para os ricos e que toda essa fortuna incalculável seja revertida em favor de mais trabalho nos EUA.

Wall Street parece uma Canudos no século XXI, tamanho a quantidade de pessoas disposta a enfrentar as autoridades até as ultimas consequências. Ainda é cedo para dizer onde o movimento vai parar. O frio aumenta dia-a-dia, nao se sabe ate quando esses jovens, velhos e crianças famintos de amor e renda vão suportar. O governo cozinha as manifestações em banho-maria, e vejo na cara dos policiais que cercam a praça em Wall Street, a sensação de que uma hora tudo voltara ao normal.

Não sei. Olhando agora aqui em volta, no epicentro dos ataques de 11 de setembro, na esquina da ferida aberta dos Estados Unidos com as novas torres do World Trade Center sendo erguidas e no meio do caos das bandas que tocam e da multidão que passa freneticamente, eu sinto algo diferente no ar. Tem um brilho nos olhos dessas pessoas.

Assim como a Revolução Americana de 1776 mudou e influenciou todo o século XVIII, não há nada demais em encher a alma de Utopia e torcer para que um outro mundo surja a partir dessa revolução. E quem sabe não faremos o #OccupyBrasil na esplanada dos ministérios em Brasília para expurgar o câncer brasileiro da corrupção?

Vale a pena apostar nos olhos, beijos e abraços de todos os acampados que clamam por justiça, igualdade, liberdade em Nova Iorque, Boston, Los Angeles, São Francisco e tantas outras cidades como Cairo, Israel, Barcelona, Madrid… Alguma coisa esta no ar, uma vontade de mudança. O mundo carece disso. God bless the child. God bless America.

ACOMPANHE AQUI AO VIVO DIRETO DA WALL STREET.

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Yes, we are in America! São tantas impressões e tantos sentimentos desde que cheguei aqui que se eu fosse relatar seria incapaz de fazer em um post. Nova Iorque é a cidade mais incrível que já tive a oportunidade de conhecer na vida. Me impressiona o fato de os norte-americanos terem transformado essa ilha num conglomerado de arranhas-céus com cerca de 450 estações de metrô.

O verão por aqui é quente igual ao do interior paulista e a cidade é bem menos frenética que o imaginável. Sinto-me diariamente dentro de um filme. Os novaiorquinos são bem humorados e, ao contrário do que se diz, são gentis. Tudo é ´excuse-me, sir´ e ´thanks´. O Brasil está na moda, estamos por cima da carne seca, e a qualquer indício de sermos brazuca, vem logo um sorriso no rosto, uma pergunta sobre esse país distante. Dilma também está em alta por aqui e todos sabem que somos governados por uma mulher.

Gosto de acordar bem cedo, junto com o sol nascendo às 5h30, correr nos parques e voltar pra casa para ler o New York Times tomando o breakfast. Passamos o dia flanando pela cidade, rindo do ´american way of life´, lendo Henfil e notando as mudanças da América dos anos 70 e a do século XXI.

Digo para os amigos americanos que são três os males da América: bed bugs, engasgos e a dívida. Os bed bugs são uma espécie violenta de percevejo. Eles infestam hotéis e residências, principalmente na costa leste. Picam sua pele, chupam seu sangue e seu ovos podem sobreviver por até um ano em camas, carpetes e cortinas. Tem americano que tem tanto trauma dos bichos que chegam a ficar sem dormir. Um país que criou soluções para quase tudo o que você possa imaginar foi incapaz de exterminar esses monstrinhos.

Os engasgos são outra tragédiga americana. Qualquer restaurante em que se entra, tem um informe na parede explicando como ajudar um engasgado. A coisa não é brincadeira e pode matar. Fomos comer em um restaurante vietnamita na Chinatown e vi uma criancinha de 4 anos quase morrer. Foi horrível, mas tudo ficou bem no final. Apenas a voz chorosa da garotinha: ´Mummy, still hurts…´

Vamos à última e terceira tragédia: a dívida americana. Desde que chegamos não se fala em outra coisa: crisis, default, debit. Manchetes diárias nos jornais e tevês. ´Yes, can we?´, perguntam ironicamente os americanos. Mas os sinais não são tão visíveis, a não ser pelo fato de que tudo aqui é mais barato que no Brasil com exceção do aluguel. Às vezes, tudo parece mais um complô dos republicanos contra o primeiro presidente negro.

Enquanto Obama é chantageado pela dívida, Dilma é chantageada pela escória política… Olho o Brasil a distância, os Estados Unidos de perto, mil pensamentos passam pela minha cabeça, sobre nossas diferenças, semelhanças. Nas ruas, fico encantado com tantos tipos estranhos e originais desse imenso país.

Aos poucos vou entendendo o significado de conceitos como Liberdade, Estado de Direito, Democracia, liberdade de imprensa. Essas coisas são reais nessa banda da terra. Aqui você pode tudo e principalmente, pode ser o que você quer ser, sem ser julgado por isso. E a qualquer sinal de medo ou encucação de quem sempre viveu vigiado, sou sempre alertado por meus amigos: You are in a free country, man!

ps: meu amigo foi tirar sua carteira de motorista para viajarmos de carro até a costa oeste. Não fez aulas, não entrou em nenhum cartório miserável, nenhum despachante explorador, quase nenhum documento apresentado. Pouca fila no departamento de trânsito. Em menos de um dia, depois de responder a 20 questões e pagar 20 dólares, estava com sua ´driver´s license´. Isso sim é eficiência em serviço público.

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