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Posts Tagged ‘São Pã’

noites sóbrias com a chuva que não cessa

em moscow os teatros já sabem que o brasil é um país de bárbaros

tecnizados

encontros adiados

o bebê do bruxo chega aos meus ouvidos como uma melodia milagrosa

da alegria

sonhei noutro dia que eu e você morríamos de amor numa cama com pele

de bezerro

explosão incontável

chega um tempo em que as coisas passam a ser simples

e uma aura de nenhuma controversa nos atinge

mas os ventos do sul ainda causam uma leve dúvida sobre a certeza das

coisas

eu não acho que a bahia é uma ilha

é o oriente

em que nosso país não está

como também não no ocidente

aqui é um entre-lugar

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Hoje eu chorei com a morte violenta de Glauco. Chorei pela morte de um dos mais talentosos cartunistas brasileiros. Chorei por que tive, de uma miração em 1999,  em um dos últimos trabalhos antes da virada do milênio, no Céu de Maria. Eu ensaiava no coro das Bacantes para o Ano Novo e uma amiga me convidou para o ritual. Foi minha primeira e única experiência com o Daime e uma das coisas mais importantes que aconteceram na minha vida. Glauco coordenava os trabalhos naquela noite. E nossos olhos e de todos ali se entreolhavam e se conectavam num nível de consciência fantástico. Tocando o acordeon, nas luzes dos santos, nas bandeirinhas ao vento, era a visão de meu pai que também é acordeonista. Espero que ele siga seu caminho de luz e que a religião brasileira não seja perseguida pelo circo que pode se armar na imprensa com as circunstâncias de sua morte.

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DAI-ME

o deus do céu é o deus do mar

é o deus da folha quando cai

é o deus da vida

o deus dos gatos da cidade

é o deus do morro

o deus da terra

o deus das lagartas, minhocas e baratinhas

o deus da casca grossa

da raiz

das matas

das teias

o deus do fogo

o deus das estrelas

a água que é deus

o ar

o vácuo

deus é aquela alegria repentina

a tristeza infinita

deus é a solitude coletiva

um hinário, uma bebida

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AFRODITE

sem saber o que ouvir

do que gostar

do que sentir

depois que me apaixonei por você

ando buscando horas em relógios de parede

bebendo cachaça como se fosse água pra matar a sede

ando pingado nos cantos sem dó

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LUA NA FUÇA

nem que o tempo passe

nem que vida fracasse

nem que o sonho acorde

nem que a vaca tussa

entre nós

não adianta

há uma estrela no céu

um sol na face

uma lua na fuça

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unhas e cabelos q crescem
roupas q se desalinham
chão lavado de pedras
ônibus no tráfego infernal
uma bala perdida atinge um carro
uma mulher estende a roupa no varal
uma trama sem tramas
uma realidade sem gana
uma vida assim
nem é pasquim nem é fundo de quintal

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NÓS & NÓS

nós somos aquela carta negra vazia aberta ao significado
potente de desejo e amargura

nós somos aqueles sapatos encharcados
depois de um dia de chuva tropical deixando marcas no piso seco

nós somos um samba alterado, sem argumento
uma folha de seda que separa aquilo que vemos daquilo que somos
sem esconder, nem de longe, aquilo que nos sensibiliza

teu olho no meu no teu e esta perspectiva de futuro
incógnita que de leve esconde nosso medo

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