Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘Teatro Oficina’

Imagem

 

foto: Vinicius Carvalho

Ele já foi Pentheu, em ´As Bacantes´ de Eurípedes, Nicolau em ´Santidade´ de José Vicente e Raimundo em ´Através da Janela´ de Tata Amaral. De volta a São Paulo, o ator Fransérgio Araújo estréia dia 5 de abril no Teatro dos Satyros na Praça Roosevelt, o monólogo ´O Maldito´ de Isidore Ducasse. Mineiro de Uberlândia, Fran fala nessa entrevista da sua nova fase e de sua carreira:

Quem é sua inspiração? Quais são suas referências?

O que me aplacou neste autor foi, de fato a ideia real de transformação, a metamorfose . Algo que francamente todos nós desconhecemos. E eu descobri essa mudança entendendo no autor o que chamo de : “o nosso ser selvagem mais puro”. Fazemos de tudo para ocultá-lo . Mesmo aqueles que se julgam diferentes estão iludidos. A natureza se metamorfoseia o tempo todo . É preciso não ter medo disso.

O que mais me inspirou na obra de Isidore Ducasse, obra esta intitulada de “Os Cantos de Maldoror “, foi a capacidade e a propriedade que ele tem de possibilitar na consciência a libertação do ideal crucífero, trazendo à tona a crueldade humana, sem a hipocrisia que assola às consciências. Atualmente as cienciocracias se auto consideram, dignas do controle sobre o homem e até da providência divina. E isso é uma mentira. O ” ser selvagem” precisa ser visto. Nós não podemos sermos aprisionados numa visão egoísta do existir. Precisamos entender o mal. Só assim podemos nos libertar da culpa , do erro.

Minhas referências estéticas neste trabalho estão nos surrealistas André Breton, Paul Éluard, Hieronymus Bosch, e também no escritor Charles Baudelaire.

Como chegou no texto O MALDITO de Isidore Ducasse? O que ele representa para você e para sua carreira nesse momento?

Este livro chegou até a mim como presente do meu ex-diretor José Celso Martinez Corrêa em 2003. Para mim, pessoalmente, ele representa o entendimento da dor que todo individuo feliz ou não , passou ou vai passar em sua vida.

Está de volta a São Paulo para ficar? Como foi voltar a Uberlândia e o que andou fazendo por lá?

Na verdade quando sai do Teatro Oficina queria fugir da realidade do “teatro paulista engajado”, fui pro Rio de Janeiro trabalhar com Hamilton Vaz Pereira que sempre idolatrei pela história do seu artista. A verdade é que com este trabalho eu encerro a mitificação que todo ator tem pelo diretor . Quero dizer com isso, que nós atores buscamos ser lapidados por diretores mais isto é uma mentira porque quem lapida de fato o ator é sua vida na arte, então estou de volta sim a São Paulo pois aqui sem dúvida é o polo para criação, teatral não temos outra cidade no Brasil com este estofo.

Em Uberlândia fiz um resgate de raízes me considero um retirante como muitos colegas de profissão espalhados pela terra (rs), voltar ao seu lugar de origem sempre te redimensiona para ir mais longe. Mais sempre que vou a minha terra natal procuro mostrar o que estou fazendo, me sinto reconectado com minha essência.

Você fez diversos trabalhos importantes no Teatro Oficina. O que traz dessa experiência?

Muitos dizem que o Teatro Oficina é minha escola , mas na verdade minha escola sempre foi o teatro, o teatro é a melhor escola para qualquer um. No Oficina me sentia, de fato, fazendo teatro de verdade, acho que temos um ideal filha da puta de teatro, achamos que tem que ser sofrido e transformador, mas isso é falta de cultura (rs). Por isso nos atores somos simbolo de transformação; digo (rs) conseguimos sobreviver na economia brasileira, pois sabemos que assim como o trabalhador assalariado, nós nos desdobramos e nos defendemos ganhando muito pouco, claro que retiramos desta lista as celebridades e os aceitos pelos mecanismos de cultural. Mas, de fato, sinto que a experiência no Oficina me ensinou a me defender diante de qualquer peça que precise atuar.

O teatro ainda tem poder hoje?

O teatro tem muito poder até hoje, mesmo estando hoje, sendo a casa de poucas evoluções sistêmicas, estamos guetados na sociedade e digo isso com certeza. Até no teatro de vanguarda vivemos uma exaustão de possibilidades. Mas acredito que o poder do teatro aumentará, e sabe por quê? Chegaremos as lindes deste sistema e tudo terá de ser de novo táctil, para todos. O teatro é a única experiencia que te faz pensar no mundo exatamente ali no ato do acontecimento cênico, talvez seja a mais rápida captação de informação possibilitada pela cognição. Ver o ao vivo. O teatro te faz: ser,existir, pensar, sentir, ver, ouvir, intuir, analisar e conceber. E isto nenhuma outra arte possui, ou estou enganado? (rs)

Você tem algum projeto inacabado, algo que gostaria de ter feito e ainda não fez?

Sim tenho. Eu tenho uma adaptação que fiz da peça “A Exceção e a Regra” de Bertold Brecht, que me arrependo de não ter terminado de fazer, ou seja, ensaiamos e não levamos à público. Pra mim esta peça, traz a metáfora irônica, sobre aquela pessoa que tem que produzir para viver. E isso é a raiz do comercio, do capital, do desenvolvimento. Todos acreditam piamente nisso como explicação para vida. Penso que nesta livre adaptação que fiz , eu a chamo de “A Corrida do Deserto”. Nela eu rio desta necessidade de que, o “ser”, têm que produzir riquezas materiais para existir de fato. Brecht com seu teatro politico tinha total abarcamento disso, só fiz atualizar.

SERVIÇO: Espetáculo O MAL DITO, inspirado em Isidore Ducasse, interpretado por Fransérgio Araújo, a partir de 5 de abril no Espaço Satyros IPraça Roosevelt, 214 | Informações: (11) 3258-6345 em São Paulo – SP.

Read Full Post »

Read Full Post »

Foi em 1999 que começaram as primeiras leituras de Cacilda!! (segunda exclamação), em várias cidades do interior paulista, através do SESC. Zé Celso chamava as viagens de “acampamentos”. Leona Cavali, Denise Assunção e muitos outros viajavam pelo interior, fazendo leituras encenadas desta novela fantástica.

A peça finalmente estreou dia 5.09 no Rio de Janeiro e fica lá ate o dia 13. Ana Guilhermina no papel da (m) atriz do Teatro Brazyleyro. O texto é lindo! Não deixem de ir. Evoé!

Read Full Post »